Tecidos do futuro

Atualmente, os tecidos são julgados sob uma nova luz. Por mais que ainda seja essencial, já não é o bastante serem fáceis de lavar e bons de usar. O quesito sustentabilidade é tido como marca de qualidade. Qual é a sua pegada ambiental total? O desenvolvivento do produto causou algum dano social, ambiental ou a animais? Os tecidos do século XXI terão de competir nesses novos padrões.

Nesse post você vai conhecer alguns dos tecidos ecológicos ou os tecidos do futuro. Por que algodão orgânico? Temos isso no Brasil? E o couro, quem pode lhe substituir? Já ouviu falar do cânhamo? O tanto que algodão tem de popularidade o cânhamo tem de sustentável! E se os tecidos fosses reciclados? Reuso de tecidos, existem marcas que apostam nessa ideia? Claro, continue e verá!

ALGODÃO-01

Até pouco tempo atrás, nossas roupas eram feitas com algodão cultivado organicamente. O crescimento de pesticidas sintéticos e fertilizantes ocorreu muito rapidamente – correspondendo a uma explosão de população e de tecnologia -, e o algodão se tornou a maior safra não alimentar do mundo. Como resultado, é difícil encontrarmos hoje um algodão que não tenha sido tocado pela química moderna.

Mas a demanda por algodão orgânico vem superando a oferta no mundo todo. O mercado de orgânicos no geral cresceu 20% em 2016, com faturamento de R$ 3 bi. A  produção sem agrotóxicos e transgênicos representa apenas 1% do total de algodão produzido no mundo. No Brasil esse número é ainda menor, com cerca de 0,1%.  Mais informações aqui.

“A C&A,  é a maior consumidora de algodão orgânico  no mundo  já vende, desde 2012, roupas produzidas desse material no Brasil.” “Conforme a Conab, o Brasil deve produzir na safra 2015/2016 um total de um milhão e meio de toneladas de pluma de algodão orgânico, um número ainda incipiente.”

5159997394_820b39400c_b105544141_82be96a69c_o

porque-01

Diferentemente do que ocorreu na agricultura convencional, a grande maioria dos projetos de algodão orgânico é feita para combater a pobreza, com metas sociais e econômicas como partes integrantes de suas atividades. E, no Brasil, já se tem notícias de um assentamento onde o algodão orgânico é uma das principais fonte de renda.

“O assentamento da reforma agrária Margarida Maria Alves, em Juarez Távora, no Agreste paraibano, tem uma característica especial. Lá, a 100 km de João Pessoa, há um grupo de agricultores especializado no cultivo de algodão orgânico colorido, com alta produtividade. Isso chamou a atenção da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que agora pretende difundir a experiência dos produtores da Paraíba pelo Mercosul.

Atualmente a maior parte das fazendas que cultivam algodão orgânico estão na Índia e na África. O número dessa fazendas só deve crescer, porque os grandes benefícios do cultivo orgânico incluem:

1

 

 

 

A exposição dos agricultores aos pesticidas tóxicos é reduzida ou eliminada ao mudar para o cultivo orgânico.

2-01

 

 

 

A longo prazo, as colheitas de algodão orgânico superam às do convencional. A curto prazo – de dois a três anos -, há perdas, uma vez que a saúde do solo é lentamente restaurada. Mas no período de cinco a sete anos, o algodão orgânico tem um desempenho muito melhor do que o convencional.

3-01

 

 

 

Muito melhor que o convencional, em termos de proteção da vida silvestre local e da saúde do solo. Em fazendas orgânicas, o solo é mais capaz de sustentar vida – ter um solo mais saudável é como ter um sistema imunológico mais saudável.

COURO-01

A Lei n. 4.888 de 09/12/1965 regulamenta o uso da expressão “couro” e proíbe o uso de expressões como “couro sintético” ou “couro ecológico”, sendo caracterizado o uso dessas expressões como crime de concorrência desleal – saiba mais no site do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil.

Feito esse adendo, vamos ao que nos interessa. Pelo menos 90% do couro mundial é curtido com cromo. O curtimento vegetal, com sua história de milhares de anos, só contribuiu com uma porcentagem muito pequena do couro curtido. É um processo antigo, no qual, em apenas uma etapa, o extrato da casca da árvore ou de vegetais é absorvido pelo material, esses compostos tornam as proteínas existentes nas peles mais resistentes à decomposição. São menos poluentes e usam menos água no processo.

Mas com todos os problemas que a criação de gado traz ao meio ambiente, além das crenças vegan acerca do direito à vida para todos os animais. O “couro” ecológico pode ser um não tecido de origem vegetal que imita o couro. Aqui vamos excluir a possibilidade de couros legítimos e de couros sintéticos.

Os sintéticos feitos de poliuretano (chamado também de PU) é um derivado do petróleo que deteriora muito o meio ambiente pelos componentes produzidos e pelo excesso de água que é usado no processo.

CORTIÇA-01

Retirado da casca do sobreiro, este material é extremamente sustentável.  o sobreiro não precisa ser cortado a fim de colher o material. A cortiça, como o couro animal, vai ficando mais suave com o desgaste. É resistente e pode até ser dita saudável, dado suas características – repelente natural, anti-mofo, anti-microbial e anti-alérgico. Portugal é o maior produtor mundial de cortiça. Fonte

ABACAXI-01O Piñatex é a epítome da sustentabilidade: essa imitação de couro é feita de folhas do abacaxi! Aproximadamente 40.000 toneladas de resíduo de abacaxi são desperdiçadas anualmente. Esse tecido alternativo foi criado pela designer Carmen Hijosa e é produzido nas Filipinas. O material não é completamente biodegradável porque possui uma camada protetora para garantir sua durabilidade. Fonte

Pinja2880x1920-1920x1280

COGUMELO-01

 

A empresa italiana Grado Zero Espace  desenvolveu, entre outros produtos, um tecido altamente resistente feito de cogumelos. Apelidado de Muskin, o material é semelhante à camurça, mas com a vantagem de ser totalmente natural. Não promove a proliferação de bactérias e tem grande capacidade de absorver umidade e depois libera-la. É impermeável. FonteMycoWorks, uma startup dos Estados Unidos, está produzindo “couro” a partir de cogumelos. Fonte

KOMBUCHA-01

Kombucha é uma bebida obtida tradicionalmente a partir da fermentação do chá preto ou verde (Camellia Sinensis) por meio da adição de uma cultura simbiótica de bactérias e levedura conhecida por SCOBY. A bactéria adquire nutrientes dessa levedura favorecendo o crescimento de uma massa de nanofibras de celulose, uma espécie de película protetora.

Essa película, também chamada de ‘colônia-mãe’, flutua na superfície do líquido e vai adquirindo a forma do vasilhame que a contém. Depois de algumas semanas, quando atinge uma grossura de cerca de 10 milímetros, a película formada pode ser colhida, lavada (à mão ou à máquina), hidratada com óleos e colocada para secar.

O couro de kombucha não é à prova d’água. O tratamento com óleos essenciais naturais ou cera de abelha auxilia na redução do cheiro peculiar do material, bem como na melhoria da sua resistência à água. Porém, a utilização de selantes a base de acrílico ou óleos compromete a sua natureza biodegradável. Fonte

KOMBUCHA2-01

canhamo-01

Cânhamo Industrial é o nome popular dado à espécie Cannabis ruderalis, ela possui uma concentração muito baixa da substância psicoativa, o THC(Tetraidrocanabinol), algo em torno de 0,06 a 1,77 por cento.

O crescimento do Cânhamo não necessita de quaisquer produtos químicos ou inseticidas, além disso, comparado ao cultivo do algodão que gasta 10.000 litros/kg, o cultivo de cânhamo reduz a quantidade de água em 90%. Outra vantagem: o cânhamo é uma erva daninha, cresce rapidamente em diversos terrenos, precisando de pouca atenção. Não esgota os nutrientes do solo, é fácil de colher, bloqueia os raios UV e é anti-fúngico.

As fibras do cânhamo são duráveis e fortes, pois tem 8 vezes a resistência à tração e 4 vezes a durabilidade, em comparação com fibra de algodão. Mas as fibras de cânhamo são grosseiras, e têm sido historicamente mais usadas para fazer cordas do que roupas. No entanto, as modernas tecnologias têm tornado-as mais maleáveis, suaves e finas.  Fonte

 

tecidos reutilizados-01-01

O que é reciclagem de tecido

“Sabemos que são inúmeros os processos de reciclagem, sendo os mais conhecidos os do plástico, papel, vidros e alumínio. Mas existe também a reciclagem de tecidos, que consiste basicamente na reutilização de resíduos têxteis para transforma-los novamente em fios. Este processo, que pode ser feito de forma artesanal ou industrial, é realizado a partir de retalhos de roupas e tecidos usados no dia a dia, sobras das indústrias têxteis e de outras empresas como, por exemplo, as confecções.”     Banco de tecido

O que é REUSO de tecidos

Nesse quesito não tem como deixar de falar do Banco de tecidos que “nasceu quando a cenógrafa e figurinista Lu Bueno constatou que possuía cerca de 800 quilos de tecidos de cores, padronagens e tamanhos variados, acumulados após 20 anos de trabalho no cinema, teatro e televisão. Buscando uma forma de lidar com esse estoque, ela encontrou com o Banco de Tecido uma solução para reaproveitar o que estava parado.”  Conheça melhor o Banco de tecidos

“Segundo o movimento Fashion Revolution, 400 bilhões de m2 de tecido vão para o lixo anualmente. 60 bilhões só na sobra dos cortes da própria indústria.” Por isso, o reuso de tecidos é tão maravilhoso e, para ilustrar, trouxei uma marca de mesmo adjetivo, a Insecta Shoes.

Case Insecta Shoes

A Insecta nasceu da mistura de um brechó com uma iniciativa de sapatos artesanais. O sapato deveria atender àquelas pessoas preocupadas com os impactos sociais e ambientais que a grande indústria gera. Hoje o produto Insecta é vegano, ecológico, unissex e feito no Brasil. Saiba mais no próprio site deles

 

insecta-01

 

 

Beijos, Brenda!